quinta-feira, 23 de junho de 2011

Amor, Tesão e Rock 'N' Roll


Irreverente. Diferente. Vintage. Sacana. Moderna. Não há definição exata para a banda brasiliense Sapatos Bicolores. Na estrada há mais de 8 anos, o trio é composto por André Vasquez (guitarra e voz), PC (baixo e vocal) e Caio (bateria) que juntos, resgatam o que há de mais genuíno no Rock ‘N’ Roll, a ousadia.

Fãs de Rockabilly, Jovem Guarda e dos garotos de Liverpool, The Beatles, a banda mostra toda essa mistura de sonoridades nos discos Clube Quente dos Sapatos Bicolores (2005) e Quando o Tesão Bater (2009), o último carregado de baladas e letras que falam de amor de uma forma um tanto quanto provocante e despudorada.

Apadrinhados por Habacuque Lima, guitarrista da banda paulista Ludov - destaque no atual cenário alternativo de pop rock - que não hesita em tecer elogios à banda, a SB segue fazendo shows por todo o país e se prepara para a gravação de seu segundo trabalho previsto para ser lançado no ano que vem.

Em entrevista especial, André Vasquez fala um pouco sobre a trajetória e os projetos atuais. Confira!

Por Stéfanie Privado

SP- Quais as principais influências da banda?

AV - A gente houve muita coisa diferente. Deixo essa pergunta para os leitores e ouvintes descobrirem.

SP - O título do CD da banda é 'Quando o Tesão Bater' e as letras falam de amor com esse toque de luxúria. Essa é a proposta da banda ou é desse trabalho específico?

AV - Como letrista, reconheço que esse estilo e temática é meio recorrente. Não adianta, acho nas pessoas o que há de mais interessante. E a sacanagem está em todo o lugar.

SP - Quanto tempo o CD demorou pra ficar pronto? Onde foi gravado? Foi produzido por quem? Ele é 100% autoral ou tem parcerias?

AV - Demorou 1 ano pra ser gravado por mil motivos - a maioria por falta de agenda dos envolvidos. Foi produzido pelo Gustavo Dreher e gravado no Daybreak Gentleman, em Brasília. Mixado no Rocklab, em Goiânia, pelo Gustavo Vazquez e masterizado pelo Alan Douches, no West West Side Music, em Nova Jersey, EUA. Ele é 100% autoral.

SP – Quem conhece um pouco do cenário alternativo de música sabe o quanto é complicado viver somente da renda gerada pela banda. Fora a música, o que cada um faz profissionalmente?

AV - Eu sou sócio de uma agência de publicidade, o Pc é oftalmologista e o Caio é dentista.

SP - Há previsão para um próximo CD?
AV – Ao que tudo indica no ano que vem.


SP - Quais os planos da banda para 2010/2011?

AV – Agora é divulgar o segundo cd no máximo de lugares possíveis, mas também deixar o Pc curtir o nascimento da filhinha dele em paz e, no fim do ano, começar a ensaiar o repertório novo pra gravar no primeiro semestre de 2011.

SP - Para quem está conhecendo a banda agora, qual é a filosofia ou essência da Sapatos Bicolores?

AV - Originalidade ou nada.

SP – Para finalizar, qual banda do cenário alternativo você indica para os leitores conhecerem?

AV – Retrofoguetes, da Bahia.


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Ficou curioso para ouvir? Conheça um pouco mais sobre a banda e ouça o seu trabalho no site oficial.

Siga no twitter: @bicolores
Myspace: http://www.myspace.com/sapatosbicolores

* Entrevista de 2010 para o projeto Zona Repórter.

Os 5+ de Chuck Hipólitho

Confira os 5 discos que fizeram a cabeça do músico, produtor e vocalista da Vespas Mandarinas, Chuck.


1º - Mermaid Avenue Vol 1, de Billy Bragg and Wilco - Letras do Woodie Guthrie, musicadas talentosamente pelos dois.

2º - Mermaid Avenue Vol 2, de Billy Bragg and Wilco - O Vol 2 do Vol 1.

3º - La Bamba, trilha sonora original do filme - Meu primeiro disco de rock.

4º - O Passo Do Lui, de Os Paralamas Do Sucesso - O disco que mais ouvi, sem ter, quando era criança. É minha banda nacional favorita e considero este, o melhor disco de Pop Rock do Brasil.

5º - Rocket To Rússia, dos Ramones – Precisa de comentários?


*Entrevista de 2010 para o projeto Zona Repórter.

Chuck por ele mesmo


Um dos ícones da cena alternativa do rock paulista do final da década de 1990 e começo dos anos 2.000, Eduardo Hipólitho, mais conhecido como Chuck, é um cara simples que leva seus dias entre as produções do seu estúdio Costella, os shows de sua banda Vespas Mandarinas, a participação em inúmeros projetos musicais e o twitter, sua ferramenta preferida de comunicação e ponte entre fãs que podem acompanhar o seu dia-a-dia, além de conferir as bandas que o músico anda ouvindo.

Em entrevista especial, Chuck fala um pouco da sua história, o que anda fazendo e o que espera do futuro. Confira!


SP – Se você pudesse fazer um resumo em poucas palavras da sua história, como ela seria?

CH - Filho de pais separados. Pai militar, mãe guerreira. Cresci no interior de São Paulo onde aprendi a ser o que eu sou e a tocar bateria. Em 98, com 20 anos, me mudei para São Paulo para estudar Marketing. Com a indicação de um amigo fui trabalhar na MTV na parte de cenografia. Aos poucos fui me infiltrando em outros departamentos, no qual cheguei a escrever, dirigir, editar, gravar, produzir... e não fiz nada disso direito. Talvez por causa disso fui dirigir o Marcos Mion no Piores Clipes do Mundo, que se não me engano foi o programa de maio êxito do canal até hoje, e não foi de maneira intencional. Nesse período entrei nos Forgotten Boys. Em 2002 saí da Mtv para morar no exterior, e em 2008, depois de quase 10 anos, saí da banda para me dedicar a família e a meu estúdio, o Costella, onde gravo e produzo minhas coisas e a dos outros. Em 2009 formei as Vespas Mandarinas em parceria com Thadeu Meneghini (ex-Banzé!), Mauro Motoki (Ludov) e Mike Vontobel (ex-Tom Bloch), e hoje... bem, hoje é hoje.

SP – De músico a produtor. Hoje você trabalha no estúdio Costella, como foi essa mudança e o que já produziu e anda produzindo de bacana?

CH - Sempre me interessei por essa área, estudo muito. Resolvi ter um estúdio. Bandas que eu amo que estiveram lá são os Suéteres, o Quarto Negro, Love Bazukas [parceria entre Chuck e a banda goiana Black Drawing Chalks], Chá de Bebê e as Vespas. Devo estar me esquecendo de alguém, com certeza...

SP - Para finalizar. Quais bandas você indica para os leitores?

CH - Nevilton, Suéteres, Claustrofobia e Camarones Orquestra Guitarrística.


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Siga no twitter: @ChuckHipolitho @VMandarinas
Site: http://www.myspace.com/vespasmandarinas


*Entrevista de 2010 para o projeto Zona Repórter.
Confira os 5 discos que mudaram a vida do produtor, apresentador, músico e vocalista das bandas Inocentes e Plebe Ride, Clemente Nascimento.

1º - Raw Power, do Iggy and the Stooges - Primeiro album que ouvi do Iguana e sua trupe. As guitarras do James Williamson mudaram minha vida.

2º - Kick Out The Jams, do MC5 - É o mais incendiário álbum ao vivo da história do rock.

3º - New York Dolls, do New York Dolls. Primeiro disco da banda. Lançado em 1974 foi para mim na época, a maior afronta que já tinha visto.

4º - London Calling, do The Clash - Me deu rumo na vida.

5º - Grito Suburbano, Coletânea com as bandas Cólera, Inocentes e Olho Seco. Deu o ponta pé inicial para o rock da década de 80.

* Entrevista de 2010 para o projeto Zona Repórter.

Entrevista com Clemente - Plebe Rude grava DVD


Um dos principais precursores do punk rock no Brasil, Clemente que lidera a banda Inocentes desde a década de 1980 e hoje divide o seu tempo também na banda Plebe Rude - no qual foi convidado a integrar em 2006 - tem seus dias agitados.

Atuando como produtor, apresentador, músico e vocalista das duas bandas que são o símbolo da filosofia punk brasileira, em meio à agenda cheia, o roqueiro encontrou tempo para idealizar e gravar um presente para os fãs: um DVD ao vivo que reúne os maiores sucessos, além de novidades da banda brasiliense do qual sempre foi fã e hoje tem o prazer de fazer parte, a Plebe, como carinhosamente é chamada.

Em entrevista especial, o músico conta como foi a produção do material, além de comentar a sua entrada para a banda e as novidades que prepara com a Inocentes, que segundo ele, está em ótima fase. Confira.

Sobre o DVD

SP - Como foi a produção? Quem idealizou e viabilizou o projeto?
C - Ele foi idealizado e produzido pela própria banda, com o Philippe Seabra capitaneando as ações, além de ter assumido a direção e a produção artística. Para a viabilização conseguimos o apoio da Brasiliatur.

SP - Qual material ele reúne?
C - Ao contrário de algumas bandas que fazem uma retrospectiva, preferimos produzir um DVD com o show ao vivo que mostra toda a força e energia da banda e dos fãs. Além da apresentação, ele também reúne entrevistas e músicas inéditas.
SP - Onde ele foi gravado?
C - Ele foi gravado na Ermida Dom Bosco no Lago Sul, em Brasília.

SP - Qual a principal proposta desse lançamento?
C - Mostrar como é a Plebe hoje em cima de um palco, a formação atual que está cada dia mais coesa, além de apresentar nossas novas canções e a atual fase na extensa vida da banda, que caminha para os 30 anos.

SP - Qual a previsão de lançamento? Já tem algum selo definido?
C - Esperamos lançá-lo este ano, mais ainda estamos negociando com os selos.

Entrada para a banda

SP - Como e por que entrou na Plebe Rude?
C - Fui convidado pelo Seabra e pelo André e achei bacana a idéia de tocar com eles. Eu os conheço desde 1983 e sempre fomos amigos, além de eu sempre curti muito o som da banda.

SP - Agora que você também atua na Plebe, como anda o trabalho com o Inocentes?
C - Estamos compondo músicas para um novo EP e esperamos que saia ainda este ano.

SP - Quais são os projetos futuros?
C -
Cair na estrada e se manter vivo.

SP - Clemente qual recado você manda para os antigos fãs e para os novos que queiram conhecer mais sobre as bandas, seja a Plebe ou a Inocentes?
C - Ainda temos sangue nas veias.
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Siga no twitter: @Clementepunk
Site: http://www.myspace.com/clementenascimento


*Entrevista de 2010 para o projeto Zona Repórter.

Estômago


Há exatos quatro anos em uma aula de sociologia ouvi de um professor que os três pilares que moveram o mundo foram o sexo, o poder e o dinheiro. Com argumentos concisos e exemplos da história antiga e moderna, esse mestre falou sobre revoluções políticas e transformações de ordem moral e material na sociedade. Hoje assisti Estômago, produção nacional de Marcos Jorge com a brilhante atuação de João Miguel e Fabiula Nascimento que me fez relembrar essa aula e chegar a algumas reflexões.

O filme de 2008 trata da história de Raimundo Nonato que através da comida (ele é cozinheiro) chega ao seu ápice e também ao seu declínio, revelando como o alimento é também uma das maiores formas de poder no Homem, validando aquele antigo bordão usado pelas avós "conquiste um homem pela barriga". Nesse caso, a espécie.

O filme deixa claro como o Homem é seduzido e facilmente manipulável através da satisfação de um dos seus instintos mais primários: alimentar-se. Ao lado da tríade citada acima, sexo, poder e dinheiro, a comida sempre fez parte de uma cadeia que aprisiona e leva o Homem a encarar a sua arrogância de ser racional e evoluído, deparando-se com a sua verdadeira origem: não passa de um animal que vive em ciclos com o único propósito de satisfazer as suas necessidades ditadas irracionalmente pelos instintos.

Vale citar que a religião também faz parte desse mecanismo, pois a partir do momento que o Homem deixa a alienação, ele passa a buscar respostas e é nessa hora que céu e inferno, deus e diabo disputam a razão, tentam minimizar impulsos, moldar comportamentos, estabelecer padrões e dar sentido a existência carente de explicação.

O filósofo inglês Thomas Hobbes disse "O Homem é o Lobo do Homem" em defesa de uma organização social, pois ele acreditava que sem uma estrutura, prevaleceria a lei do mais forte, no qual o Homem voltaria a ter comportamento similar ao dos animais. O paradoxo é que mesmo depois de séculos de estruturas, monarquias, impérios, socialismo e democracia, a lei do mais forte prevalece, só que a força não é mais medida pelo físico ou pela capacidade de proteger-se do frio, das intempéries ou pela procriação da espécie. Hoje a força é medida pelo dinheiro.

Encontra-se coerência na frase de Hobbes mesmo que seu argumento para ela seja falho, a história demonstra isso. Mesmo com séculos de "evolução" do ponto de vista moral, a humanidade continua caminhando para o caos. Vivemos massacres.

Partindo de outro ponto de vista, outro filósofo, Friedrich Nietzsche, disse que "Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva, encontro desejo de poder", afirmando que a busca pela auto-afirmação também é instintiva, como nos animais, pondo a baixo a idéia de que o poder é racional. O Homem se comporta na essência como a sua origem aponta.

Conclusão. Seja qual for a maneira com que o Homem viva, alienado ou não, ele está fadado a ser uma marionete nas mãos de seus instintos, mesmo esses, tolhidos por valores morais. No final das contas, não existe inimigo, lutamos contra nós mesmos.


* Texto de 2010.

A Moda Verde


Há anos sendo o espelho e o reflexo do comportamento humano, indicando o futuro e ilustrando o presente, a moda é sem dúvida uma das maneiras mais expressivas e populares de arte. Seguindo momentos históricos e ajudando a construí-los, através de cores, cortes, desenhos e idéias, foi ferramenta inúmeras vezes de protestos e meio de comunicação para a sociedade.

Com as mudanças climáticas e os eventos naturais que geram catástrofes, a discussão sobre preservação do meio ambiente, sustentabilidade e reciclagem entra em pauta e é tema de discussão entre ativistas, cientistas, governantes, empresários e jornalistas que buscam soluções junto à sociedade para reverter o quadro de desequilíbrio e poluição do planeta.

Integrante do grupo de Indústrias, a moda vem desempenhando papel importante de incentivo e conscientização das grandes massas. Participante ativa de pesquisas, divulgação de novas técnicas e inovações ecologicamente corretas, através do campo é possível perceber que o comportamento do século XXI mudou e que é possível consumir sem destruir.

Engajado com o meio ambiente e preocupado com acúmulo de lixo industrial, o empresário Thai Q. Nghia, dono da marca Góoc foi o pioneiro na confecção de calçados, bolsas e acessórios utilizando na fabricação 70% de produtos reciclados. Para a produção do solado dos chinelos, ícones de sua marca, já foram utilizados mais de 1.000.000 de pneus usados que iriam para o lixo.

Em entrevista ao site Ecotrendstips, o empresário diz que esses números são só o começo de um grande futuro. “Até 2014, a Goóc deverá conscientizar todo brasileiro a adotar essa idéia. Nosso objetivo é tornar o Brasil o país referência em reciclagem de pneu, ajudando assim a minimizar o problema de pneus sem utilidade e fazer produtos com originalidade e muita criatividade.

Tecidos Ecológicos

Em recorrentes pesquisas de universidades e órgãos do setor, que buscam projetos ecológicos e economicamente viáveis para as indústrias, foi desenvolvido o tecido ecológico. A partir de matérias primas como fibras de Juta (erva cultivada na Amazônia), Bambu e Garrafas de plástico Pet, é possível desenvolver inúmeros tecidos.

Reginaldo Maia, diretor de comunicação da Bless Work, empresa precursora na fabricação de camisetas pet e de algodão orgânico, diz que desde 2003 a empresa incluiu as novas fibras na confecção. “Hoje utilizamos uma fibra que é composta de 50% algodão e 50% poliéster (produzido com garrafa pet). Depois disso, o processo de fabricação é o mesmo, com tecelagem e tinturaria”, diz.


Consciente da importância da nova atitude, Maia se orgulha do trabalho e diz que é tendência empresarial buscar medidas de sustentabilidade. “Trabalhamos a cinco anos na produção dos tecidos ecológicos e é bom saber que nesse tempo ajudamos a diminuir a poluição e lixo no planeta. Hoje somos referência em um mercado que cresce a cada dia”, conta.

Etiqueta do Bem

Encabeçado por estilistas e pela marca Osklen, em 2007 foi fundado o projeto E-fabrics que desenvolve testes e ações de marketing para conceituar o novo mercado de eco-tecidos e divulgar a importância de se adquirir um tecido que respeita o meio ambiente. Nesse processo, surgiu a Etiqueta Verde, símbolo da marca que identifica peças com tecidos ecologicamente corretos.


De acordo com estilista e artesã Ana Marques, através da Etiqueta Verde, o consumidor tem informações sobre as condições que a peça foi fabricada. “As marcas que têm essa etiqueta mostram a preocupação com desenvolvimento sustentável, com a preservação da biodiversidade e a proposta de que é possível fazer moda e se vestir bem com os tecidos ecológicos”.


Uma prova desse crescente movimento da moda em pró do meio ambiente é a inclusão e o interesse de marcas e estilistas a fazerem parte do movimento e do projeto. Hoje, nomes conceituados como Patrícia Viera, Oskar Metsavaht, Glória Coelho, Fause Haten, Huis Clos, Samuel Cirnansck e Lino Villaventura fazem parte da lista do bem.


* Texto de 2007 para a Universidade São Judas Tadeu.